sábado, 4 de dezembro de 2010

OS PERCURSOS DO CORPO NA CULTURA CONTEMPORÂNEA

Malu Fontes (2009) descreve o que denomina como corpo canônico, um corpo publicizado especialmente pelos meios de comunicação de massa. É o corpo desejável e sinônimo de beleza, saúde e bem estar. Esse corpo é resultado de um conjunto de investimentos em práticas, modos e artifícios que visam alterar as configurações anatômicas e estéticas (p. 75).

O corpo canônico é especialmente o corpo feminino, que ilustra os discursos midiáticos é o simulacro da imagem do que seria o corpo ideal. Sua construção está relacionada à juventude e ao vigor, a força, a sensualidade e  a beleza. É o corpo produzido por um conjunto de técnicas e estratégias que vão desde o exercício físico às cirurgias plásticas, passando por dietas, consumo de cosméticos e determinados vestuários. É o corpo que se contrapõe ao que poderia ser chamado de corpo dissonante (o corpo deficiente por exemplo).
     
O corpo canônico é caracterizado como aquele que se propõe voluntariamente a um conjunto de práticas, técnicas, métodos de hábitos que têm como firme propósito reconfigurar o corpo biológico, transformando-o em um corpo potencializado em seus aspectos estéticos e em suas formas de gênero. Exemplo disso, os homens musculosos e mulheres de seios voluptuosos e curvas definidas (p. 77)

Esse corpo é resultado de culto de si, fenômeno social, amplamente notado após II Guerra Mundial, resultado das mutações sociológicas e das transformações ocasionada pelo progresso técnico cientifico. A busca da realização pessoal, se contrapõe à construção da identidade formulada mediante interações do sujeito com a família, a escola, a política e a religião.

O corpo que daí emerge é esculpido pela reengenharia da estrutura corporal. É como diz a autora “ sinônimo do modelo corporal, marcado pelo culto à chamada boa forma física, o corpo estandardizado onipresente nos meios de comunicação de massa”, mais precisamente nascido no final da década de 80.  (p. 82).

A produção deste corpo tem inicio quando o indivíduo opta pela adesão e submissão voluntária a um conjunto de práticas que visam alterar, aperfeiçoar, corrigir e reconstruir o corpo dito natural, potencializando-o no que se refere à saúde, disposição, força física, beleza, harmonia das curvas, volumes e formas, negando assim, os efeitos do tempo (p. 83).

O interessante dessa análise é que o corpo canônico não busca um padrão de beleza como comumente ocorre. É ele sinônimo de saudável, magro e sem distúrbio patológico. Produzido a partir de exercícios, medicamentos, tratamentos e incisões cirúrgicas radicais.

A produção do corpo canônico é reforçada pelos discursos que o sustenta. O Corpo canônico é “definido ou alterado pelo efeito do que se diz sobre ele” (86).  Essa afirmativa denota a importância do discurso na construção da identidade dos sujeitos. Mais do que isto, este discurso dá substância à existência dos sujeitos. 

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